Quinta-feira, Setembro 3

Do Curumin à Índia das Ostras. E um bocado de paixão entre tudo isso.

Existe a pessoa, como eu, que se delicia com os prazeres gastronômicos e faz questão de aumentar o share cerebral desta atividade, ao mesmo tempo, divina e mundana.

É possível dizer que minha relação com a comida chega a ser social. Existe um flerte tão misterioso entre a mente devoradora e o prato sempre galante, pronto a ensinar a mais profunda reflexão e admiração em torno de si mesmo.

Sou um daqueles de íntimo bem íntimo, mas posso me tocar com um belo aroma de alecrim.

Almoço todos os dias no restaurante por quilo Curumin, o chamado "quilo do povão" em uma praça onde o cacique é Stelle di Firenze.

Comidinha gostosa, variada, sem preconceito e até bastante saudável (ver glossário: pessoas lúcidas que se alimentam bem; fazendeiros engolidores de búfalos). O Curumin faz do boi da minha esfinge bem satisfeito, pronto para um belo repouso acompanhado de Chapolin.

Eis que dessa rotina, reservei um fim de semana em condições explêndidas para comemorar meus sensacionais 2 anos de namoro com a doce e bela Carol. Nada de arroz, feijão e bife. O negócio agora era sério.

Tudo começou bem antes do fim de semana, numa quarta, em que escolhemos uma mesinha com iluminação adequada, posta a favorecer um entreolhar sedutor, assuntos e risadinhas corteses e receber uma bela pizza. Salada caprese primordial termina, entra meia margherita, meia búfala. Fenomenal. Um belo aquecimento para fim de semana. Mais um mojito, uma Original bem servida e duas caipirinhas dariam ainda mais sentido a o que se pensa em aquecer.

Weekend on fire, estamos na serena praia de Maresias, sem o furor dos surfistas, pois o mar se punha como uma piscina em background a dois pombinhos apaixonados. Foi o momento perfeito para uma porção bem generosa de pescada, embora quiséssemos porquinho. O que não mudou em nada nosso prazer em devorar o peixe. Some algumas cervejas e uma caipirinha de maracujá e o dia estava fechado com chave de ouro. Após uma bela soneca de final de tarde, antes do passeio noturno, resolvemos comer alguma coisinha gostosa, já que a noite seria longa, com muita dança e remelexes a Coco Bongo. Terminamos em uma hamburgueria fenomenal, à la Joakin's, com um atendimento muito bom. Lógico, devoramos um sanduíche cada um e de saída ganhei de presente uma garrafinha de vidro de Pepsi, com o primeiro logo da marca. Coisa raríssima, que agora ostento no meu quarto.


A noite foi fechada com chave de platina, na verdade.

Na manhã de domingo, Carol e eu estávamos predispostos a completar a viagem com um dia de rainha e rei. Aproveitar todas as tentações daquele lugar tão delicioso. O resumo do dia começa com um café da manhã completo na pousada, com um bolo de laranja e chocolate de toque caseiro que rendeu elogios à gentil moça da cozinha e termina com uma porção de camarões à milanesa suprema e um açaí refrescantíssimo.

E foi isso. Dias de puro prazer gustativo. Eu sempre precisei disso. Pretendo repetir a dose, incluindo meus grandes amigos. A diversão seria catastrófica.

Voltando à raiz da questão, o título deste texto não teria sentido nenhum, se não pela descoberta que Carol e eu tivemos, na viagem de volta a São Paulo.

Quem já conhece a coisa, sabe que a volta entre São Sebastião e Bertioga pode ser um tanto tortuosa num domingo à noite, devido ao intenso tráfego putinho. Mas a companhia do meu amor no carro era muito relaxante e gostosa, conversávamos sobre assuntos diversos enquanto flertávamos restaurantes à beira da estrada e nos ocorria a ligeira intenção de parar num deles. Eis que decidimos realmente estacionar.

Descemos do carro, ambiente simples, sem frululus, decoração peculiar de conchas, areia ao chão, algo meio caseiro e acolhedor. O nome do restaurante, já vou adiantando, Índia das Ostras. Um nome à primeira vista indiferente. À primeira vista. Fomos atendidos por um rapaz muito atencioso, que nos entregou o cardápio e deixou à vontade o nosso momento de escolha.

Lembrem-se de uma coisa, quando forem a esse restaurante: Se 1 porção de algum prato serve 4 pessoas, realmente serve 4 pessoas. Se forem astuciosos como fui, e ainda auxiliados pelo atendente totalmente honesto, peçam meia porção, para 2. Por r$15, recebemos em nossa mesa uma tamanha travessa de risoto de camarão, que foi preciso muito controle para não sair cantarolando a música da vitória.

Foi o risoto de camarão mais delicioso que já experimentei. Um tempero forte, quente, à brasileira, ou melhor ainda, à la índia. Que estava lá. Quando me deparei com o logo do restaurante, o rosto de uma índia, esculpido em madeira, olhei para o lado e vi a mesma conversando com clientes que deveriam frequentar o lugar há uns 10 anos. O restaurante não necessitava nome. A comida falava por si. A experiente cozinheira falava por tudo.

Carol e eu ganhamos na loteria, ficamos muito agradecidos pela descoberta. Recomendamos o lugar a todos. Nossa conta deu 27 reais. Incluiu três refrigerantes, um suco gigantesco e meia porção de Risoto de Camarões, que dividimos entre nós, repetindo o prato 3 vezes e ainda levando para casa o que restou para meus pais no dia seguinte uivarem para a lua do meio-dia em êxtase.

Descobri que na vida, quanto mais experiência se tem, mais as coisas ficam saborosas. Assim como o pequeno curumin um dia se depara com a sabedoria da senhora índia. E assim como dois anos de namoro é muito melhor do que um.


Esta é uma historinha que, ao contrário de outras, começa com pizza. Porque final ela não tem. O sabor pela vida nos acompanha desde o começo e se as coisas caminham tão deliciosas do jeito que são, é porque cada pedacinho acompanha o tempero de uma bela mulher.

Parabéns pelos nossos dois anos de amor.
Dedicado à Carol.

Quarta-feira, Julho 29

Momento de Reflexão

Quando o ser mais puro é vítima de uma vida profana.

The Dramatic Ladybug from Trosbla And Goose on Vimeo.

Um brinde ao amor e àquela porra toda!
Thanks à camerawoman Mayumi San. E ao Dimi.

Terça-feira, Julho 21

Natanael, O Atendimento de Verdade.

Quem trabalha em agência de publicidade sabe muito bem como é lidar com prazos curtos, crazy chefes, faxineiras pornográficas e principalmente O Atendimento. Rola tanta discussão entre atendimento e criação, que é possível ser escrito um Job Sutra com tanta informação e lições provenientes dessa briga.

Só que existe uma situação diferente entre esses dois profissionais que é quando você é muito amigo do cara do atendimento e ele é dono de virtudes maléficas capazes de fazer seu dia render risadas e borros na cueca.

Eu conheci um jovem sábio chamado Natanael. O atendimento mais estaile da face da terra! Natanael tem mestrado na arte da comunicação e pode lhe ensinar coisas fundamentais para o sucesso do relacionamento interpessoal na vida dentro e fora do escritório. Sentar ao seu lado por 8 meses foi uma experiência única que influenciou de forma direta minha ascensão profissional, garantindo meu gigantesco salário que recebo hoje!

A lição mais importante que recebi da lenda foi como responder de forma galante e discreta a um e-mail amistoso de um cliente que não sabe nem aonde achar o próprio cu! Eu vou só fazer uma pequena introduçao à história toda e em sequência colocarei, na íntegra, esta valiosa aula prática de Natanael (ele me deu os direitos autorais).

Lesson 1: Cordialidade e Virtuosidade em uma relação amistosa com o próximo. / How to Reply A Badass Mail When The World Is Already Doomed.

A atendimento do cliente (uma total Moron!) já pedia a 3ª refação de uma newsletter produzida por nós. Perceba o desespero da moça que, em sequência, foi amparada por Natanael.


Atendimento do Cliente
"Desculpe a demora, Natanael. Então, conversei com meu chefe.

Sabe aquele e-mkt dos produtos que passei para vc?!
Um de fundo marrom com total poluição visual?
Então, ele quer aquele estilo.

Só peço para vc diminuir a quantidade de texto.
Pode modernizar, mas não muito.
Evite cores que não seja o "padrão" do meu chefe.
Referente ao texto, não tenho uma explicação de como ele é para lhe passar."

Natanael, o Atendimento de Verdade:

"Boa noite,

Para todos entenderem:

Criatividade representa a emergência de algo único e original (Anderson, 1965)

O termo pensamento criativo tem duas características fundamentais, a saber: é autônomo e é dirigido para a produção de uma nova forma (Suchman, 1981)

Um produto ou resposta (no nosso caso) serão julgados como criativos (o que fazemos) na extensão em que:
a) são novos e apropriados, úteis ou de valor para uma tarefa
b) a tarefa é heurística e não algorística
(Amabile, 1983)

Heurística? Vamos lá. Heurística: Quando usada como substantivo identifica a arte ou a ciência do descobrimento.

Senhorita Y (atendimento mágica do cliente)

Peço imensas desculpas, mas esse briefing (ou essa peça, job, projeto) infelizmente nos coloca contra nossos principios mais dignos e puros da criatividade, que é o que dá referência, "valor", no trabalho/serviço que prestamos.

Já estamos atendendo por um preço muito, mas muuuito inferior da média cobrada por "freelas" (aqueles que fazem serviços esporádicos), mas não reclamamos disso. Porem, novamente infelizmente, digo que não podemos proceder com esse JOB, estando ciente do resultando que ele terá.

Produto final ruim denota serviço ruim. Serviço ruim denota preço ruim e não a nosso portfólio (currículo da agência). Não posso deixar o Bazaonfire proceder com esse desenvolvimento, isso irá ser visto negativamente para a agência.

O job anterior foi feito e pago.

DEsta news, foi feita a primeira etapa. Porem não vou nem querer cobrar o valor referente a esta primeira etapa (desenvolvimento e arquivo), visto que não vale a pena.

Criatividade e inovação é a base para uma empresa de futuro sólido, ainda mais se a empresa trabalha em cima da criatividade para sobreviver financeiramente.

Infelizmente nao podemos continuar atendendo a Empresa Fuck.

Espero que entenda.

Boa sorte na busca de alguém que faça este JOB.

Obrigado,

Natanael"

Excelente! Estou muito mais feliz agora que postei isso. Uma homenagem justa a esse meu grande amigo. Nathan, essa é pra você: O cara mais comédia com quem já trabalhei!

Abraço!!!

Segunda-feira, Maio 4

Retomando as atividades.

Realmente estava muito conturbado para postar nos últimos dois meses, mas retorno agora On Fire!

Uma grande motivação para mim, hoje é aniversário do meu grande amor. Parabéns, gatinhaaaa! Agora você tem 21, beba cervejas até a morte e não me traia! Eu te amo.

Terça-feira, Março 3

Goodies from nonsense design.

Só esqueci de colocar no post anterior "Observação pessoal e devaneio descontínuo" uma palhinha do design sobre a questão racial. Adoro usar este wallpaper que fiz outro dia:



Não polui o desktop, me agrada visualmente e a mensagem é simples e interessante (geralmente pra quem é designer).

Baixe ele aqui ou clique na imagem. Ou esqueça.

Sexta-feira, Fevereiro 20

Observação pessoal e devaneio descontínuo.

Primeiro a abolição da escravatura, mas agora querem abolir os negros. Qual é a questão agora? Não se pode mais chamar um preto de preto. Agora todos eles são afrodescendentes. Isto é estranho. De alguma forma estão tentando enganar seus próprios olhos.

Se negro agora é afrodescendente e branco é caucasiano, todas as piadinhas maldosas perdem a graça. Acho que até parariam em falar no nazismo. O Apartheid teria várias falhas jurídicas e legislativas. Não sei mais o que pensar. Nem antes sabia.

Acho sensacional esta questão social racial na escolha de um membro do alto escalão da política. Assim como a mesma é descartável. Questões desse tipo dão um bônus berserker às eleições cabra-cega, lhes dá força por impulso, não por razão.

Obama foi eleito o primeiro presidente negro da história dos EUA. Será que Dilma seria eleita a primeira presidenta do Brasil? Escolha de merda. Lula ganhou votos com o bolsa-família. Dilma ganharia com o bolsa-brochante, o bolsa-entusiastas.

Lugar de entusiasta não é no poder. E sim na publicidade. Nós, profissionais do ramo, já estamos acostumados com eles desde a faculdade. Aumentar o mercado com idiotas só valoriza ainda mais o reconhecido e competente profissional. Acho que vou virar negro e fundar a primeira black agência do Brasil. Seria um fetiche social. Afinal, fetiche funciona. Levanta os paus mais velhos. Assim como o do Max Mosley, presidente da FIA.

Louis Hamilton Wins!

Ainda bem. E o mais legal: no meu meio ele não é visto como o primeiro negro a largar/competir/vencer a Formula 1, e sim o mais jovem campeão da história. Parabéns.

Dilma não é mulher. É um crocodilo na menopausa, é um durango em sua paz conturbada.

É errado eu estar falando nela, pois quanto mais se fala, mais trela se dá. Quanto mais trela, mais imbecis curiosos. Não entendo de política, mas acho que um líder não deve ser eleito por moral ou boniteza. Entusiasmo é bonito e pode até mover o futebol, mas para muitos mortais, time que não faz gol pode perder a graça logo.

Entusiasmo é igual a puta que fuma após o orgasmo parceiro, é que nem velhote sem procedência. Não vote por este processo. Não digo que existe mau ou bom candidato, mas pelo menos seu portfolio é apresentado da maneira errada. Eles não compram seu voto, e sim o entusiasmo do eleitor. Compram sua vontade de fazer cagada e ver no que dá. A filhadaputagem, mesmice e pobreza racional multiplicam o entusiasmo. Cuidado.

Star Wars parafraseia isso com o lado negro da força.

Não existe vestibular pra voto. Deve-se ler mais e estudar mais para performar tais atos de democracia. Na verdade, basta observar melhor os fatos, es-que-ça a leitura. Ela pode te encher de coisa inútil, caso você seja um entusiasta. Como já disse o controverso Diogo Mainardi em uma coluna pra Folha "A leitura é um fetiche nacional. Atribuímos grande importância à leitura. Desde que sejam os outros a ler." Ninguém quer mais um presidente vaiado na abertura do Pan.

Minha vó poderia ser presidente. Ela faz a melhor canja do mundo. Eu não posso votar e é de uma tal forma assim que o mundo pode continuar este protesto...

Quinta-feira, Fevereiro 12

A Cultura Blanka.

Você está de saco cheio de ouvir as pessoas do estrageiro falarem coisas absurdas sobre seu país? Eu não. Fico feliz em ouvir do resto do mundo que aqui pareça um parque de diversões florestal. Acredito que o turismo nacional possa se valer disso. Ora, quem não adoraria viver num lugar onde tem Kypeereenia, Moolieres, Sexow, Kernaval. Que beleza. É o sonho de qualquer homem que consiga amassar uma lata de cerveja com a barriga.

No meu Brasil as coisas seriam mágicas também. As mulheres seriam todas Evas multiétnicas sem a árvore da maçã, os homens seriam os mesmos pangarés de sempre, haveria uma piscina disponível para limpeza cada vez que nos banhássemos na máquina de chopp e haveria macacos-chofer Jumanji andando por aí fazendo a festa.

Toda essa imagem fantasiosa sobre o Brasil me leva a crer que estamos presenciando um paradigma social paralelo em nossa nação. Em um brainstorm sobre cultura e sociedade Made in Brazil que estava tendo com minha amiga Zyn, percebemos a necessidade de identificarmos esse universo em questão.

Um dossiê completo de estudos foi formulado e podemos afirmar que nesta era vivemos a chamada Cultura Blanka.

Repare na fase de Blanka no Street Fighter: temos a selva, o rio Amazonas ao fundo, uma casinha de madeira com o teto de palha, a Anaconda enrolada nos cipós da árvore fenomenal, o pirarucu pendurado como troféu e os pescadores oportunistas que não perdem uma boa briga. É um retrato perfeito de todo o pensamento mundial escrotinho sobre o Brasil. Cenografia nota 10. Adaptação ao enredo nem se fala.


Se pararmos para pensar, até nosso presidente se parece mais com um espécime de Blanka do que um humano simples. Não sabe falar direito, grunhe, pelos atirados aleatoriamente pelo corpo, estados de torpor que o deixam berserker e talvez ele saiba dar choques quando raspa a unha no chão.

Só não entendo porque Gilberto Freyre não relacionou a Cultura Blanka em Casa-Grande & Senzala. Talvez ele não fosse bom de Street Fighter. Também, dessa forma a literatura brasileira não seria a mesma. Imagine:


"Então Macunaíma sai do rio Araguaia e está branco. Mas quando ele se vira, recebe um Cannonball no peito e Blanka wins!"
ANDRADE, Mário. Macunaíma. Ed. Gouranga. São Paulo. 2 Ed.

"Macabéa, quando sai da cartomante estava "grávida de futuro", sentia uma esperança única, maior do que qualquer desespero já sentido. Até para atravessar a rua se sentia diferente. E justamente, ao atravessar a rua, Macabéa é atropelada por um Cannonball de Blanka. As pessoas se aglomeram. Esta é "A Hora da Estrela" para Blanka, que mata a nordestina de perfect!"
LISPECTOR, Clarice. A Hora da Estrela. Rio de Janeiro. Ed. Fuinha Entorpe, 1978.

Imagine o louvor para Clarice Lispector. Seu último livro publicado em vida. Uma pérola. Um presente!

Os cineastas americanos ainda brincam com a Cultura Blanka fazendo filmes em que as cachoeiras são inversas, correndo para cima, e pássaros voam de ré (ver Anaconda, EUA, 1997). Assim também brincam com a sorte. No longa Street Fighter (Street Fighter: The Battle for Shadaloo, EUA, 1994) o próprio Blanka parece um transformista com uma peruca barata. Chega! Para este papel já temos a Joelma.




Podem nos zoar, mas pelo menos não fodemos o mundo com filhos da puta pobretões e seus problemas de hipoteca. E outra, quatro Blankas podem se fartar com um único pirarucu, enquanto um hambúrguer sujismundo não vale nem a embalagem que o carrega.

Viva a Cultura Blanka. E um bom Kernaval pra vocês.